quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Maria Neta





Mas que menininha é esta tão completa?
Parece-me ela de tão bela uma maqueta
Construída com arte e engenho de um esteta
Cuja obra de beleza rara não se fez dieta
E a expõe como sua principal vedeta.
Mas que menininha é esta que não pára quieta?
Brinca de cambalhotas e corre na bicicleta
Sabida, cheia de graça e com língua de seta
Falando português, mas do francês faz meta
E quando brava, faz biquinho e se faz secreta.
Mas que menininha é esta tão indiscreta?
A fazer de mim, bobo, palhaço e pateta
Eu que queria ser somente um pobre poeta
Agora me quero amado por essa Maria neta.


TESTAMENTO AMOROSO


Nem são muitos os meus amores
Mas são fortes e deles me recordo.
Na infância, datam amores caseiros:
Vovó Dadá, tia Lili, os principais.

Nas brincadeiras foi a Isa de pêra ou uva.
Pouco mais além, amei Nali também.
Adolescente amei Lia, a grande paixão.
Depois amei Teresa até o casamento.
Doloroso mas necessário o primeiro divórcio
Regina me trouxe alento e renovado estímulo.
Mas foi Silvia a violenta paixão adulta, adorada.
E Ida uma querida renovação juvenil.

E outra Lia, me trouxe a vida, a ser vivida
Com a lembrança querida de sete mulheres amadas
E que assim foram, são e sempre serão
Queiram elas ou não.
Um outro equivocado casamento mas com divórcio de alento
Mostrou que me havia tempo e espaço amoroso
Para concluir meu primeiro testamento,
No qual caberiam importantes paixões passageiras
E amores inconclusos: Marilza, Gisa, Lisia.
Todas vividas em feliz passado, mas à limpo presentes,
Amadas, também, queiram ou não.

Meu inventário, talvez ainda provisório,
Provavelmente concluído, me contém Tetê,
Que, sendo o meu presente, é síntese do meu espólio,
Minha parceira achada, minha mulher amada, minha vida.
Uma vida amorosamente dividida, com duas outras mulheres
Que meu passado legou: minhas queridas filhas Mariana e Carolina.

À todas e tantas mulheres amadas, agradeço por as ter amado
E com elas aprendido o que fui capaz de entender e dar fé,
Até o ano da graça de 2013, dado e passado.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

BEM-VINDA



                                                                 Para Carolina Paulon

Bem-vinda em seu trânsito de menina para mulher.
Espero ansioso para vê-la perto de quem bem lhe quer.
Bem-vinda com seus regressos de mulher para menina.
Torço por você querida e essa torcida muito me anima.
Bem-vinda minha doce molequinha por demais tinhosa.
Tão comemorada ao nascer em versos e prosa.
Bem-vinda, agora, quase esquecida de sua gente, sua terra,
Seus laços, seus passos, sua crença, enfim pelo que sua voz berra.
Eu, por aqui na espera, na certeza que por tempos estarei ainda.
Torcendo e esperando por você disposto a lhe sentir bem-vinda!