quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Louvação pra Vinicius de Moraes




Não, não pagamos o enterro e as flores
Para quem viveu e morreu de amores
E mais, muito mais, a ti devemos louvores.
Nosso inexausto poeta de muitos e novos inícios
Na pena, no violão, no copo e nos demais vícios
Nossa mais candente emoção és tu Vinícius.
Paixões ardentes teu lindo e maior testamento
Viveste muitas, a maior em cada um casamento
Tornando eterna e infinita a vivida num momento.
Teus poemas de vida, mas sempre de olho na morte
Tua música, tua bossa correram pátrias de sul a norte
Era nova, era de bamba, era afro seu samba de porte.
Tua diplomacia pop afirmava tua raça brasileira
A nossa raça, a nossa pátria, antes tão estrangeira
Por ti e de ti cantada mesmo truncada tua carreira.
Inútil tentar calar teus versos, tua reação de herói
Impossível esquecer teu amor, dito grande que dói
Logo tu, poeta do povo, que não nasceu em Niterói.
Eram muitos os amigos de talento, tu eras baricentro
Choraste saudades vivendo lá fora, e ai eu entro
Com nosso povo por ti feliz, cantando cá dentro.
Jovem eu imitei teus versos, tua verve, não nego
Velho como tu tentei amores e por um desassossego
Vivendo a buscar em casamentos. Será que te pego?
Onde estarás poetinha querido, por quem cantas?
Tu não hás de calar, pois canções te restam tantas
Como também mulheres para que tu as faças santas.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pérola



Pacífico este mar que Gold Coast encosta-se em deck
Revolto o meu estar por profunda ausência em outback
Não surfo em saudades velhas, mas de mergulhos bem sei
Agora pego essa onda iluminada pelo farol de Byron Bay.

Volta à tona a minha vida, que muita atenção requer
E dentre novas ostras abertas uma pérola se revela mulher.
Melhor ser de Fátima, por mais branda a minha pena
Pois se de Jesus fora roubada esta querida Tetê pequena
Pelo sal Terezinha chamada, agravado seria meu castigo:
Estender mão amiga,purgar suas quedas,erguê-la ao inferno comigo.