sábado, 25 de agosto de 2007

Ida & Volta


Só sai das cinzas a Fênix chamada,
Só se encontra quem é procurada.
Mas se viraram cinzas eram fogueiras queimadas,
Mas se houve procura havia desencontradas.
Só paira no ar quem tem forma alada,
Só sai do lugar quem busca a estrada.
Mas se voaram estavam soltas as asas,
Mas se viajaram abandonaram casas.
Só renasce quem já teve vida,
Só volta mesmo quem já teve ida.
Mas se renasceram eram vidas perdidas,
Mas se contaram as voltas pelas idas tidas.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Paixão


Paixão -sei não- como febre amarela me parece
Que se mostra como uma flor, não delicada, mas bruta.
Sempre nasce forte, vendo miragens e vozes escuta,
Cresce sem norte e se amor não vira certamente fenece.

É sentimento que a mim sempre alimenta e intriga
E a mente me invade, estremece o corpo e conta me toma,
Sempre a persigo e quando encontrada a guardo em redoma,
Não para prendê-la, só por cuidá-la, como uma flor se irriga.

Foram tantas minhas paixões, passageiras do nada,
Poderão ser tantas as invasões da minha alma aberta
Porque ela se fez assim fraca, como escrava que não resiste.

Porém, esta mesma alma se fez astuta de tanto enganada,
Por isso agora me vigia, me diz ser sonho e me põe alerta.
Também, pudera, tantas vezes a me ver contente e triste!

domingo, 20 de maio de 2007

CARNAVAL


Prata e preto, preto e prata,
Sob as lindas luzes da avenida,
Ela brilhando me fez feliz em exata medida
E criou em mim uma lembrança grata.

Meu tempo não é o dela - nos separam muitos carnavais -
E nada farei por esse meu estúpido coração menino,
Se minha razão vigia e implora retomar meu tino
Para buscar paz e amor, não mais paixões eventuais.

Sambar não sambo, cantar não canto.
Seguia seus passos no ritmo da passarela.
Ela alegre, bela e solta, eu distância mantida, bem perto dela,
Cujo balanço me envolvia e na “festa da carne” tornei-me santo.

Sua beleza menina, tímida, doce e tranqüila,
Eu cuidava para que não me fosse perdida,
Ela, em rodopio, sorria e cantava na multidão aturdida
E o meu carnaval, por causa dela, chamou-se Kamila.

Abraço.


Vou alongar e estender meu braço
Vou alcançar e caçar você no laço

Vou preencher a lacuna desse vazio traço
Vou buscar você no mais apressado passo

Vou lhe retornar ao seu mais amigo espaço
Vou abandonar os versos nos papeis que amasso

Vou clarear os dias que por saudades embaço
Vou arrumar meus carinhos para o seu regaço

Vou me entregar a você até me fazer bagaço
Vou revigorar por você o meu natural cansaço

Vou fundir nossos desejos de amor a ferro e aço
Vou regar minhas flores de amores em seu terraço.

Vou nada, vim aqui só lhe deixar meu abraço.

BRINCANDO NO PARQUE


A distância da imaginação muito requer.
Da imaginação, facilmente, se tira o que quer.
Por exemplo, agora está longe de mim a mulher,
A mesma que sempre estará comigo onde ela estiver.

Ela está no parque brincando na altura
Que pra mim é agonia e pra ela é aventura,
Onde um céu azul e nublado se lhe faz moldura
Na exata medida que esta minha saudade atura.

Ela está, imagino, sorrindo em alta velocidade,
Que muito sobe e despenca na sua pouca idade
E mesmo assim me faz feliz sua fugaz felicidade.

Quem sabe um dia cesse essa nossa brincadeira?
E ela na minha vida, por fim, se ponha por inteira
E eu entre na dela, sem graça, feito criança arteira.

Questão de Fé


Já que emprestada não nos serve a fé, em deus não acredito,
Cujas divinas questões me ultrapassam a capacidade de crer.
Por ser demasiado lógico e assombrado, com fervor medito
Nas duas mais básicas inconformidades de um humano ser.

A primeira é a grande frustração da vida, ou seja, a morte.
E em deus sempre se busca uma outra, que se houver amém.
Julgados e absolvidos se os pecados forem de pequeno porte
A recompensa prometida é crida em no quem vai, vem.
Assim seriam muitas vidas vividas, mas de precisão inútil,
Porque, afinal, somos aquilo que sentimos e sentir fazemos
O que carregamos na memória de ação prestimosa ou fútil.
Mas sem lembrar, de que servirão as vidas que por fé teremos?

A segunda é a estranha solidão neste misterioso Universo,
Cuja valia alimenta ciência em desesperada busca turística,
Criando fome e indo à Lua antes cantada em prosa ou verso
Agora sabida vazia, nem dragão nem São Jorge de espada mística.
Vamos lá a Júpiter, Saturno, Plutão de bem longe alçada,
Embora Marte nos tenha mostrado sermos vizinhos do nada.

Explicar, não explico. Razão porque em deus não desacredito,
Gostaria como Quintana, que ele acreditasse em mim,
Porque criador criou ciência e fé, criando em mim um homem aflito,
Certamente, juro por deus, afirmo, nem tão semelhante assim.


Materialista, em nome de deus, sou idiota da concretude
E da natureza primacial do ser, sei apenas que existo
E ignorar o que sou, de onde vim ou vou, é minha atitude
De particular metafísica, acreditar ou não, a ambas resisto.
Como um advogado, exercito sofismas, mas de boca torta
Pelo costumeiro cachimbo de só crer em havendo provas.
Minha vida é tal qual um processo em que a fé não importa,
Nascida foi em berçário e se destina a acabar entre covas.

Mas, na vida ou na morte, sempre se tem um porém.
Que minhas dúvidas não perguntam o que será, foi ou é.
Mas não me impedem (será por deus?) prosseguir de mim além:
Amar você, minha nova mulher, tornada minha derradeira fé.

Amiga


Se sempre me vejo só
É porque não desatamos o nó.
Se você se diz confusa e aflita
É porque muito pouco acredita.
Se você quase sempre me evita
É porque seu amor não me grita.
Se a fumaça, ao invés de fogo, faz-se pó,
E porque haverá fim sem piedade ou dó.
Se sua vida, resumindo, não me abriga,

É porque você quer ser apenas outra amiga

terça-feira, 15 de maio de 2007

Saudade



Parte de mim a acompanha quando você se vai.
Não sei se a que se vai é a minha melhor parte,
Mas provavelmente é a parte de mim que você atrai,
A mesma que quando você a leva me entrega a arte.

A parte que fica, por estar só, muito pouco me satisfaz,
Por ser ela insuficiente para tornar plena a minha vida,
Por não manter contida toda a paixão que a mim apraz,
Porque não a posso, não a devo e não a quero dividida.

E tudo isso me encontra na angustia de uma saudade,
Essa sensação sofrida, descontrolada, egoísta na essência,
A insistir na inconveniência de perturbar sua liberdade.

Mas sem você, sem seu corpo, seu sorriso, seu cheiro,
Sempre me torno triste por vivenciar a sua ausência,
Porque na sua falta me falta a parte que me torna inteiro.